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Intersecção entre uma azeitona e um par de calças [Dia da Mulher]

  • 8 de mar. de 2021
  • 1 min de leitura


Há dois anos, uma revolução silenciosa teve lugar numa aldeiazita do Ribatejo. A minha. Pela primeira vez na história quase milenar da colheita anual da azeitona, as mulheres cobraram o mesmo valor que os homens, por cada hora de trabalho. Não sei quem foi a primeira valentona que se terá atrevido a exigir o que lhe era devido a ela, à mãe e à avó antes dela há gerações, mas o passo daquela mulher desconhecida que melhorou a vida de todas as que trabalham com ela fez com que me lembrasse de outra mulher. A minha avó, que nos anos 50 teve a coragem de pedir à costureira que lhe fizesse umas calças. E de sair com elas à rua. Apenas o pôde fazer uma vez e durante o tempo que demorou até que o meu bisavó descobrisse aquele pecado que era, em plena España franquista, que uma mulher vestisse o que quisesse.


Mas os gestos pequenos calam fundo e vão pesando, com o tempo. Dezenas de anos depois, pude vê-la a usar calças muitas vezes. Pode parecer um detalhe simples mas hoje é um bom dia para relembrar que a igualdade se estende até aos pormenores. E que não podemos parar até que ilumine cada recanto da vida de cada mulher. Uma azeitona de cada vez.


Feliz Dia da Mulher <3

 
 
 

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