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Sai à primeira.

  • há 3 dias
  • 1 min de leitura

Sai à primeira.

À primeira falta de respeito inusitada.

À primeira ofensa que ele assegura que retiraste do contexto.

À primeira interrogação de se vais mesmo assim vestida.

À primeira insinuação de que talvez devesses afastar-te dos teus amigos.

Da primeira vez que te sugira que o teu dinheiro é vosso.

Da primeira vez que os teus sonhos forem ridículos.

Da primeira vez que as tuas conquistas se deverem apenas à sorte.

Da primeira vez que ele te grite.

À primeira explosão de raiva sem motivo aparente.

À primeira vez em que te sintas um saco de boxe.

Da primeira vez que te calas para evitar mais um combate.

Da primeira vez que tiveres medo.


Não lhe dês tempo de aprender a tua flor preferida, não lhe ofereças oportunidade de te perfumar o sofrimento.

Não te dês espaço na cabeça para memorizar um aftershave com notas de saudade e medo.

Não lhe ensines as palavras capazes de te ensurdecer.


Não esperes por dias melhores. Não existem.

Pelo fim da fase difícil. Ainda mal começou. Nunca termina.


Acredita nessa primeira vez. Na confissão desesperada de que não te merece, logo da primeira vez que tentares ir embora. Essa é a verdade, toda a verdade, toda a que precisas de saber. Sai.

E se por azar, se por muito azar, querida, não saíres, sai pelo menos antes da primeira vez em que, parada em frente ao espelho, tenhas dificuldade em reconhecer o espectro de olhar vazio que se parece tanto à sombra do que eras antes de todas as outras primeiras vezes.


 
 
 

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